Blog da Oficina

Descalabros

Escrever não é fácil.

A dificuldade vai além do cuidado com a gramática. Passa pela escolha das palavras, pelo efeito que se busca, pela clareza nas ideias. Nem mesmo a inspiração é o maior problema. O mundo está repleto de situações, imagens, detalhes que rendem histórias, basta enxergarmos além daquilo que os olhos veem.

O nó está na escolha do tema. Na crônica, ele aperta. A maioria espera por um texto curto, leve, melhor, ainda, se divertido. A realidade está difícil. Sabemos por vivê-la, não precisamos ser lembrados das dificuldades ao acessar algo para ler. Chegamos, então, ao maior desafio da escolha, o respeito ao leitor.

O cronista, na maioria das vezes, fala do cotidiano, das vivências. O que escrevo traz a minha visão, mas não deve, jamais, desprezar ninguém. Qualquer profissional deve exercer seu ofício com o máximo de respeito e consideração pelo outro. Você, com certeza, faz isso. Por que, então, o presidente não o faz? Não o elegi, mas ele preside o país em que nasci e vivo e não um clube de tiro formado por homens que precisam afirmar a masculinidade pela agressão, desrespeito e violência. Essas questões Freud já explicou.

Desculpem se hoje não consigo ser leve. Foi muito em poucas horas. Se ver vencedor pela suspensão dos testes da CORONAVAC devido à morte de um voluntário, ameaçar com pólvora (inventada pelos chineses) em vez de fazer do diálogo a arma para avanços, chamar os brasileiros de “maricas” (de novo a fixação já explicada pela psicanálise) pelo temor ao vírus que já matou mais de cento e sessenta mil brasileiros é um descalabro tão imensurável que me impede de escrever algo que não esteja relacionado a isso.

Não se trata de ideologia. Trata-se de humanidade. Homofóbico, rude, grosseiro, é de praxe. Se ver vitorioso em cima da morte de alguém, é abominável.

Calada sou cúmplice. Calados, concordamos. Temos problemas, somos desiguais, racistas, classistas, mas nunca pensei em nós, brasileiros e brasileiras, como bestas desumanas. Não podemos permitir que ele nos torne irascíveis. Nem mesmo aqueles que nele votaram merecem tamanha vergonha.

Maria Avelina Fuhro Gastal
12/11/2020

 

 

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DEPOIMENTOS

"Fiquei muito satisfeito com o conteúdo da Oficina. Minha experiência com escrita, agora vejo com maior clareza, era inteiramente prática ou intuitiva e, certamente, passível de ser substancialmente melhorada. Gostei muito da orientação obtida através da Oficina e, em particular, da tua avaliação do material dos desafios."

Décio Oliveira Elias,
Rio de Janeiro, RJ

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