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O triste sorriso

Sorrir, verbo irregular. Por definição, rir com um breve movimento da face e dos lábios. Mostrar, para alguém, um sorriso. Demonstrar alegria e contentamento.

Ao longo do dia, todos sorrimos. Alguns, naturalmente, sem qualquer motivo ou propósito. Outros, de modo malicioso, ardiloso e premeditado. Autêntico ou falso, no convívio humano, o sorriso sempre foi uma arma, doce, útil e necessária, tanto para o bem, quanto para o mal. Sorrir podia ser a estratégia sutil para encerrar uma conversa constrangedora. Por outro lado, mostrar os dentes auxiliava a começar um diálogo necessário, a quebrar desconfortantes silêncios. Um bom sorriso ajudava, e muito, a vender quimeras, vestidos e apólices de seguro. Quando sinceros, os felizes sorridentes atraíam outros da mesma espécie, criando os grupos mais animados de qualquer festa.

Se era simplesmente a demonstração de felicidade e contentamento diante da presença de alguém querido ou amado; ou se, por dever de ofício, precisávamos ser simpáticos e proporcionar uma sensação de bem-estar, salvo algumas, prováveis, exceções culturais, lá estava ele: o grande sorriso. O ato de rir suavemente, com um breve movimento dos lábios e da face, podia ou não ser retribuído, mas, via de regra, sempre gerava algum nível de empatia. Gerava comunicação instantânea. Era a grande mágica do sorriso.

Temo que hoje, sorrindo para aparelhos celulares, diante dos cenários mais improváveis; criando fotos que serão publicadas, aos borbotões, nas chamadas redes sociais, tenhamos nos convertido em manequins de uma grande vitrine. Manequins sorridentes e ávidos de um grande público. Narcisos modernos, paralisados diante de um grande lago virtual a refletir nossa bela imagem. Mas ele, o sorriso, embora retratando nosso melhor ângulo ou cativando milhares de seguidores, tenha se tornado oco, solitário e triste, porque lhe falta, simplesmente, a insuperável interação com o outro.


Luciana Konradt Pereira é natural de Pelotas. Cursou Magistério, no Colégio Anglicano Santa Margarida. Formada em Comunicação Social (habilitação em Jornalismo – UCPel), Francês e Direito, pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente, vive e trabalha em Porto Alegre. Apaixonada por arte e literatura, participa do Curso Livre de Formação de Escritores.

Luciana Konradt Pereira
15/12/2020

 

 

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"Fiquei muito satisfeito com o conteúdo da Oficina. Minha experiência com escrita, agora vejo com maior clareza, era inteiramente prática ou intuitiva e, certamente, passível de ser substancialmente melhorada. Gostei muito da orientação obtida através da Oficina e, em particular, da tua avaliação do material dos desafios."

Décio Oliveira Elias,
Rio de Janeiro, RJ

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