Blog da Oficina

Seres da floresta

As barrigudas tocaram os pés descalços
rgueram a vista, eram galhos ou pássaros?
Eram fumacentas caiporas no alto das copas
Espreitando os vultos em sua demora

Correram saltitando sobre as raízes
A pedra reluzia diferentes matizes
Viram o urubu acampado no topo
Seus olhos furos fogo morto

Caíram de susto na relva fechada
Braços segurando braços
A mata acolheu no regaço calada
As crianças chovidas do alto

O medo ficou no esquecimento
Foi alento o riso, a aventura
Os irmãos e a irmã em sua soltura
Encontraram o cachimbo fumarento

Objeto velho e pequeno, sem cores
Coberto de fissuras fragmentos
De plumas de asas de beija-flores
Por sua boca falou-lhes o vento

A fumaça saiu lá de dentro
Tomou tamanho forma calor
A sereia cinzenta perguntou
“Que fazem aqui, pequenos?”
De um cabelo foi feito casulo
De uma perna foi feita muro
De um braço foi feito escudo
De três serrinhas, o mundo

Sem demora desvelou
Os três sorrisos travessos
Ao virar-lhes do avesso
A caipora os libertou:

“Pygwá sagrado, curumins!
O cachimbo velho é que diz:
A serra da cura das estrelas,
Esse lugar é Arawi.”


Raísa Feitosa "está" professora de Português e reconhece na escrita e no desenho portais para o "o outro lado do espelho", a busca pelo conhecimento é o que faz as suas raízes crescerem. No passado, participou de eventos literários em Recife e no interior de Pernambuco declamando poemas tanto autorais quanto de autores diversos.

Raísa Feitosa
14/06/2021

 

 

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DEPOIMENTOS

"Fiquei muito satisfeito com o conteúdo da Oficina. Minha experiência com escrita, agora vejo com maior clareza, era inteiramente prática ou intuitiva e, certamente, passível de ser substancialmente melhorada. Gostei muito da orientação obtida através da Oficina e, em particular, da tua avaliação do material dos desafios."

Décio Oliveira Elias,
Rio de Janeiro, RJ

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