Palavras e Imagens

Alex Cardoso Vieira

Com o que nos expressamos melhor: palavras ou imagens?

 

Essa é a pergunta que não se cala, durante todo o filme “Palavras e Imagens”. O professor de literatura avançada, Jack Marcus, Clive Owen, é um insistente propagador do ensino de uma mente que se deva ser pensante, atuante; com as próprias forças, com as próprias criações; com sua própria arte; sua própria habilidade de elaborar-se. Já a professora de arte avançada, Dina Delsanto, Juliette Binoche, encara suas aulas da maneira mais objetiva e concisa possível, indagando seus alunos a desafiarem-se. A não se satisfazerem com o que têm, mas sim, sempre buscarem algo mais que preencha suas pinturas em autenticidade. Em meio a brincadeiras e desencontros, os dois professores acabam por duelarem entre si sobre o que tem mais poder de expressão, interação, reflexão: as palavras ou as imagens? O professor diz que o grande clichê “uma imagem vale mais que mil palavras”, é ultrapassado e inválido. Pois com algumas sílabas pode-se retratar a mais detalhista das paisagens, cenas, filmes em nossa imaginação. Além de serem elas, as palavras, desbravadoras de homens, zeladoras da paz, de movimento, de evolução, revolução. A professora diz que o ser humano poderia ser compreensivo de si mesmo, compartilhando e relacionando-se entre si mutuamente, apenas com palavras, gestos. Entretanto, em seu mais íntimo interior, revela os detalhes de sua alma, através de imagens, de pinturas, de deslumbres próprios, figuras próprias. Algo que, não seria possível se dizer em palavras. Não seria possível se fazer entender com próprios dizeres. Portanto, acontece uma guerra travada entre o sim e o não. Entre ataque e rebatida. Quem sai ganhando nesse embate são os alunos e a própria relação de aluno/professor, professor/aluno. Seres humanos, despindo-se do seu eu, para confrontarem a si mesmos em busca de um consenso, independentemente de suas crenças.

Vemos em “Palavras e Imagens”, que sem palavras não podemos viver, interagir, comunicar-se, evidenciar-se. Sem imagens, não podemos dizer aquilo que sentimos e que é só nosso: as agonias, os medos, as angústias, as adrenalinas. Elas podem se resumir em pinceladas de tintas, ou até mesmo completar um pensamento alheio. O que realmente vemos, é que uma coisa complementa a outra. Com palavras focamos os relacionamentos abraçados pelo verbo “amar”, com imagens miramos a universalidade de olhares através do verbo “sentir”. A interpretação; ou seja, uma palavra resume um quadro. Um quadro resume um livro.

Quer sejamos extrovertidos, quer sejamos introvertidos, sempre haveremos de nos comunicar com os ventos ou com o céu, de maneira que nos venha a recíproca. O entendimento daquilo que necessitamos.
 
Por trás do ser humano, sempre haverá algo a se dizer, a se carregar em mochilas de atratividade. Sempre haveremos de demonstrar aquilo que sentimos, que queremos. Seja com sílabas, seja com o colorir dos lápis. Seja com o desafio, a paz, a movimentação de um discurso, seja com o bailar das gotas de tintas expandindo-se e elevando-se aos anseios da alma. 
 
 
Assista ao trailer do filme:

 

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Décio Oliveira Elias,
Rio de Janeiro, RJ

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