Literatura, livros e o desemprego - A crise econômica das palavras

Cláudia de Villar

O cenário econômico brasileiro há algum tempo não está favorecendo o empreendedorismo. Sabemos que empreender requer uma dose de coragem, tempo e dinheiro. Nem sempre estes três aspectos andam juntos e os sinais de deterioração do quadro econômico batem à nossa porta, apontando para uma crise econômica. E, o que era para ser uma possibilidade futura, concretiza-se numa realidade financeira de impacto social e cultural.Sabendo-se que a crise já está instaurada, resta-nos descobrir qual será o tamanho do seu impacto nas finanças do país. Porém, um setor específico, o literário, tem um fator agregador da sua crise particular, o baixo índice de leitura da população. Portanto, temos uma crise econômica das palavras.

Com o advento do livro online, a produção de livros impressos no Brasil, agregada à alta do preço do papel, dos custos para se manter um funcionário – salário, férias, 13º,  vale-transporte, FGTS, hora extra, alíquotas e sem falar da possibilidade do funcionário for demitido sem justa causa, pois haverá aviso prévio – produzem um efeito cascata nos sonhos de empreender. O impacto causado pela alta carga tributária cobrada para “investir” numa editora aliado à inflação e à restrição de créditos tanto para o empresariado quanto para o comprador da matéria bruta final, produz um cenário desfavorável à abertura de editoras de livros impressos no Brasil.

Levando-se em conta que abrir uma editora online poupará ao investidor alguns tributos como a manutenção de funcionários, local para a editora, uma vez que uma editora online poderá ser na própria residência do empreendedor, podendo então evitar cobranças de encargos como água, luz, entre outros, ao passo que ter voos mais altos como ter uma editora com endereço físico diferenciado ao residencial e com toda a máquina operacional que ela exige faz com que o empreendedor pense duas vezes antes de abrir o seu negócio.

Sendo assim, cada vez mais surgem as editoras online, com baixos custos tributários que resultam em menores custos finais para seus livros, culminando em constituir e agregar leitores para este ramo empreendedor. Do outro lado, temos editoras que ainda lutam para se manter firmes, fortes e em pé no mercado literário impresso e empresarial, arcando com toda a carga tributária e com um “olho constante” na política monetária do país. Contudo, este mesmoramo empresarial reduziu, nos últimos tempos, seu quadro de funcionários, uma vez que o preço do seu livro é superior ao valor dolivro online, pois inserido em seu produto final há todos os custos repassados (tributos e encargos investidos para se manter o “negócio em pé”). Ou seja, o país não vai parar, mas reduzirá sua velocidade ao que diz respeito à atividade econômica e empreendedorismo.

Com a redução de editoras com livros impressos, aumento das editoras online, baixo índice de investimento em compra de livros impressos pelo governo e ao pouco hábito de ler no Brasil, o desemprego nas editoras e de todo conjunto de pessoas envolvidas no fazer literário (gráfica, vendedores, livrarias, etc) se torna uma realidade presente, demonstrando que a crise econômica pode sim sair da fantasia e se tornar uma realidade. Por fim, a Literatura e os livros impressos têm influência na taxa de desemprego no país.

 

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