Conflito de escritor: vazio ou uma vastidão de ideias?

Cláudia de Villar

Ao ter em mãos a oportunidade de expor os seus escritos, muitas vezes a imensidão do papel ou da tela impõe ao escritor um verdadeiro pavor. Esse medo que surge, às vezes, não vem do que ele não sabe o que escrever, mas do tumulto das palavras e ideias que povoam a sua mente. O acúmulo dessas ideias, o ferver das vontades pode também ter o poder de apagão literário.

Quantas vezes o escritor é empurrado pela obrigatoriedade do produzir? De ter, enfim, algo a ser publicado? Mas quantas dessas vezes ele é paralisado pela grandiosidade de vontades que surgem em seu ser? Escrever ou não escrever? Eis a questão. Será ele, neste momento, dono da sua escrita? Pode, como criatura pura e dona do seu próprio destino e estilo escrever o que vier na sua cabeça? Um livro de receitas? Um artigo de política? Suas opiniões? Venderia? Qual seria a reação dos seus leitores ao se deparar com um texto cômico vindo de um escritor renomado e consagrado pelos seus textos bem embasados de verdades econômicas? Conseguiria o leitor soltar seu riso ao ler um texto dramático de um autor genuinamente cômico? Qual seria a reação ao ter em mãos o que não escolheu ter?

Imaginem a cena: você conhece o autor, compra o ingresso daquela peça porque sabe, ou mais ou menos sabe, o que encontrará no palco e, de repente, não é nada disso. Você levanta no meio do espetáculo indignado ou espera até o fim, demonstrando ser bem educado? Recomendaria essa peça ou passaria a desmoralizar o autor outrora amado? E se fosse com um livro? Ao ter em mãos uma obra bem diferente da esperada escrita pelo seu autor preferido,você terminaria a leitura, pagando para ver? Guardaria o exemplar com cara de ludibriado? Ou se sentiria enganado e rompia as relações com o escritor amado?

Desta forma, o escritor, ao se deparar frente a frente com uma tela vazia ou uma folha em branco pode pensar duas vezes entre permanecer no mesmo ou inovar. Afinal, sua produção escrita, embora manifestação artística é meio para sua sobrevivência. E agora, escritor? Ser fiel à sua linha de pensamento publicado ou ser fiel ao seu rompante criativo? Inúmeras indagações povoam a mente de quem gosta ou precisa produzir. Portanto, o ato de criar não deixa de ser um ato de escolha entre o querer e o precisar. Entre o pavor do vazio e um fervilhão de novas ideias, qual seria a pior escravidão do escritor?

 

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"Fiquei muito satisfeito com o conteúdo da Oficina. Minha experiência com escrita, agora vejo com maior clareza, era inteiramente prática ou intuitiva e, certamente, passível de ser substancialmente melhorada. Gostei muito da orientação obtida através da Oficina e, em particular, da tua avaliação do material dos desafios."

Décio Oliveira Elias,
Rio de Janeiro, RJ

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