Rock também é literatura

Maria Tereza Jorgens Bertoldi

Em épocas remotas, a expressão rock and roll era associada apenas ao cinema e a discos de vinil. De uns tempos pra cá, a palavra passou a fazer parte do vocabulário da literatura nacional e internacional. Hoje é possível entrar numa livraria e encontrar um espaço dedicado ao assunto; pesquisas acadêmicas a respeito do tema também não faltam, e são muitas. Para comemorar o Dia Mundial do Rock, celebrado em 13 de julho, a mídia especializada aproveitou o momento para sugerir ao leitor amante de rock alguns títulos interessantes que são referência nesse segmento da música popular. Entre eles, Rock and Roll: Uma História Social, de Paul Friedlander.

Publicado pela Editora Record, em 2002, o livro é considerado pela crítica a bíblia do rock. Razões não faltam. A obra apresenta um texto leve e sua organização é bem didática, proporcionando uma leitura agradável e de fácil entendimento por parte do leitor. Com autoridade de quem conhece o assunto, Paul Friedlander procurou sustentar cada capítulo partindo do que ele considera ser os principais marcos divisórios da história do rock.

Inicialmente, acontece a explosão do rock and roll clássico (1954-1955), com Elvis Presley, Bill Haley and His Comets, Chuck Berry, Carl Perkins, Buddy Holly, The Everly Brothers, Fats Domino, Jerry Lee Lewis e Little Richard; em segundo, a invasão britânica (1963-1964), tendo à frente os Beatles; a seguir, tem-se o que o autor chama de a era de ouro (1967-1972), com o amadurecimento de artistas de vários estilos musicais, incluindo a primeira invasão inglesa, o soul de San Francisco e a ascensão dos reis da guitarra; o quarto período (1968-1969), onde se dá o surgimento do hard rock; e o quinto momento (1975-1977), a descoberta do punk.

Em geral, o livro faz um panorama contextualizador das origens e da evolução do rock and roll, a partir dos Estados Unidos da América; resgata os primeiros intérpretes e mostra o momento da decadência do gênero, ao final dos anos cinquenta, quando a música sofre uma transformação e renasce o rock na Inglaterra, com os Beatles e os Rolling Stones, sem, contudo, ignorar o cenário político e cultural da década de 1960, que cercava os artistas e a influência que o ambiente da época teve em seus trabalhos, informação essa dividida em três áreas distintas: a cultura jovem e sua relação com a sociedade; movimentos políticos e culturais, incluindo a luta pelos direitos civis e humanos para as minorias, movimento pela paz e contra a guerra, estabelecimento de contraculturas alternativas; e a indústria musical e seu desenvolvimento naquele momento.

Rock and Roll: Uma História Social é um livro marcante e indispensável para todos aqueles que curtem a música que revolucionou o imaginário de toda uma geração e moveu multidões com seu ritmo contagiante; é a História do gospel, do rhythm and blues e do country and western, as raízes musicais do rock and roll; é um painel vibrante acerca de um dos maiores movimentos culturais dos últimos tempos; é o clamor de alguns jovens do pós-guerra, que com sua guitarra e voz souberam captar o espírito de uma época que ficou imortalizada para sempre.

Por fim, a obra de Paul Friedlander, é uma pequena homenagem aos ídolos cuja imagem e estilo de vida influenciaram a moda e as tendências que definiram novos padrões de comportamento desde então; é o registro de uma geração que ousou mudar o mundo, de tal maneira que a radicalização de ideias não pôde mais se resumir a palavras e discursos. Ela foi, por assim dizer, se abrigar na música, na literatura, no cinema, nas roupas coloridas e exageradas, nos cabelos compridos, no sexo, nas drogas e, é claro, no rock and roll.

 

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