O escrever

Verena Rogowski Becker

Em contradição acadêmica fui uma pessoa que caiu nas letras por acaso. Por gostar de escrever resolvi com muito trabalho, estudo, curso de escrita ir procurando uma assistência e, na persistência, estou tentando colocar minhas opiniões sobre assuntos, pontos de vista demonstrando nessa crônica um dilema entre a classe dominante, que realmente tem o dom e o conhecimento para escrever contra os leigos que gostam de escrever.

Existem milhões de exemplos que se revelam nesse momento na pandemia do mundo, pessoas que gostam de escrever, mas que não tem o dom de conhecer a gramática da sua língua e que não a aprenderam corretamente nos anos de estudo. Não tenho dados concretos, são simplesmente leituras recolhidas daqueles que escrevem pequenos textos nas mídias sociais por necessidade de se comunicar num momento de distanciamento social.

São pensamentos muito ricos que surgem no dia de cada um, quando se está tentando entender esse novo mundo, nesse novo momento. Não estamos longe do tempo em que estudar era uma oportunidade só de pessoas ricas, os outros corriam atrás da sobrevivência. Como hoje acontece e de forma talvez mais gritante nesse momento, mas existe essa nova oportunidade de colocar o que se sente em qualquer mídia social sem ser criticado por especialistas da palavra.

As lições normativas da linguística são desconsideradas. Pode ser um contraste o que procuro colocar, sem significado talvez, mas queria mostrar que tudo isso pode ser considerado certo, por ser uma linguagem natural do povo para o povo, de uma pessoa para outra pessoa. Um aspecto necessário, pois quem sabe nem interessa aos letrados que não tem tempo para se ater e compreender essas escritas. Ler e escrever ainda é um conto de fadas num país cujas pessoas não gostam de ler a realidade está muito longe de ser concretizada. Os próprios mestres de sala de aula não gostam de ler.

Meus argumentos podem estar incorretos, mas existem agulhas de ouro no palheiro. Nesse palheiro cheio de pessoas com criatividade, mas com medo de escrever além de seus simples comentários, pontos de vista, muitas vezes, melhores do que os de profissionais bem pagos, expressões culturais, histórias, contos, poesias latentes contra as quais implacáveis os mestres de academias de letras desdizem, como se fossem eles uma espécie de magos infalíveis.

Agulhas douradas de um palheiro que podem ser descobertas por suas habilidades inatas e deveriam ser resgatadas, auxiliadas e empurradas ao crescimento. Posso falhar nas minhas palavras de hoje, mas também podemos estender as mãos e dizer que o escrever leigo é pura magia.

 

Comentários:

E como existem agulhas de ouro no palheiro! Mas uma agulha de ouro fica melhor ainda se tiver linhas e tecidos de qualidade. Gostei!!!
Joao Rodrigues Ferreira, Reriutaba - Ceará 05/09/2020 - 10:30
Entendi seu ponto de vista, contudo, para escrever e publicar, seja em redes sociais, revistas ou jornais eu acho imprescindível ter o domínio da língua portuguesa. Se tem dúvida, procure a forma correta, pois é muito desagradável ler um texto com erros gramaticais ou de concordância nominal ou verbal. Hoje com a internet na palma da mão, me parece que não há espaço para decepcionar o leitor.
Maria Theresinha Gonçalves Mattos, Florianópolis/SC 30/08/2020 - 21:38

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"Fiquei muito satisfeito com o conteúdo da Oficina. Minha experiência com escrita, agora vejo com maior clareza, era inteiramente prática ou intuitiva e, certamente, passível de ser substancialmente melhorada. Gostei muito da orientação obtida através da Oficina e, em particular, da tua avaliação do material dos desafios."

Décio Oliveira Elias,
Rio de Janeiro, RJ

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