Little fires everywhere (Pequenos incêndios por toda parte)

Rachel Baccarini

Little fires everywhere é uma série de TV americana em oito episódios lançada em março de 2020, que você pode assistir no streaming da Amazon Prime. É, simplesmente, uma pequena obra de arte que, como o próprio nome indica, espalha um pouco de fogo nas nossas mentes míopes e acomodadas. Baseada no livro homônimo escrito por Celeste Ng, conta com direção primorosa de Liz Tigelaar e elenco de peso.

Reese Whiterspoon(Elena) e Kerry Washington(Mia) dão vida às duas mulheres tão diferentes e tão profundas nas suas várias camadas do ser: família, trabalho, segredos, amores deixados para trás e escolhas que determinam as histórias de ambas. Essas histórias se entrelaçam, e de forma surpreendente o arcabouço nos permite enxergá-las por vários ângulos, nos levando a questionar até que ponto, ou de que estreito ponto de vista, conhecemos a nós mesmos e a vida que escolhemos.

A série se passa no final dos anos 90, com vários flashbacks. Elena é a dona de casa perfeita. Uma mulher branca de classe média americana, casada e com quatro filhos adolescentes. Seu lema é: “sem regras não se consegue ter uma boa vida”. Montou para si uma rotina totalmente enquadrada nos padrões sociais, a ponto de ter datas até para fazer sexo com o marido: só as quartas e sábados. Ela é “do bem”, politicamente correta, acolhe os afro-americanos como se fossem da família, frequenta chás de caridade, ama os filhos e se considera uma excelente mãe. Mas um terremoto acontece na vida de Elena com a chegada de Mia e as máscaras vão caindo uma a uma até chegar ao final sensacional.

Mia é uma artista negra e misteriosa, que conhece muito bem sua posição na sociedade americana dos anos 90. Tem uma filha e as duas vivem uma vida nômade, mudando constantemente de cidade. Faz sexo casual, evita qualquer relacionamento amoroso, e fuma maconha enquanto trabalha. As duas chegam em Shaker Heights, pequena cidade de Ohio, e Mia vai trabalhar na casa de Elena.

As coisas vão acontecendo entre elas e suas famílias. Como alguém desenrolando um intrincado novelo de lã, o diretor vai nos desvelando os segredos das duas e principalmente o contraste entre elas. A ponto de nos fazer perceber que o que procura ser correto, pacífico e bem resolvido pode ser tão cruel e destrutivo quanto o que é rebelde e cheio de furor. Não existem inocentes, afinal.

Em suma, não é uma série para quem quer apenas se divertir porque o rio é mais fundo do que parece, e a qualquer momento, podemos nos ver refletidos nele.

 

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Décio Oliveira Elias,
Rio de Janeiro, RJ

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